Da redação

Foto: divulgação/Pixabay

 

As mídias sociais tornaram rápido e simples propagar uma informação. O problema dessa facilidade é quando ela está a serviço da fake news (do inglês, “notícias falsa”). Por isso, diante de uma informação, precisamos, cada vez mais, exercer nosso lado curioso e investigativo: sempre checar sua veracidade antes de compartilhá-la com um grupo de contatos.

Exemplo recente do mau uso desses canais foi o vídeo de um “químico autodidata”, falando sobre a ineficácia do álcool gel na prevenção do coronavírus. O tal vídeo com a fake news ganhou tamanha proporção que o Conselho Federal de Química (CFQ), por meio do presidente da entidade, José de Ribamar Oliveira Filho, emitiu nota para desmentir:

“O álcool etílico (etanol) é um eficiente desinfetante de superfícies/objetos e antisséptico de pele. Para este propósito, o grau alcoólico recomendado é 70% v/v, condição que propicia a desnaturação de proteínas e de estrutura s lipídicas da membrana celular, e a consequente destruição do microrganismo (lise celular).

O etanol age rapidamente sobre bactérias vegetativas (inclusive microbactérias), vírus e fungos, sendo a higienização equivalente e até superior à lavagem de mãos com sabão comum ou alguns tipos de antissépticos degermantes (BRASIL – MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010)”.

A química Warde Rouhana Saab, responsável química pela S&T Comercial, desmente outros equívocos do “químico autodidata”:

 

Álcool em gel é, sim, um grande aliado contra germes e bactérias

“Os antissépticos a base de álcool, no caso o álcool gel, têm uma atividade antimicrobiana, ou seja, destroem os micro-organismos. Como isso ocorre? Todo micro-organismo tem uma membrana que, ao entrar em contato com o álcool, é rompida; então, seu metabolismo celular interrompido, tornando-o incapaz de sobreviver e de se proliferar”, explica Saab.

 “O álcool gel é tão importante que, no surto do H1N1, tornou-se obrigatória a disponibilização pelos serviços de saúde em todo o país”, lembra a química.

 

Ágar-ágar propicia a proliferação de vírus e bactérias?

Extraído de diversos gêneros e espécies de algas marinhas, o ágar-ágar é uma substância gelatinosa que serve tanto para fins alimentares e de beleza quanto para estudos da microbiologia, como meio de cultura.

“Ágar-ágar usada na microbiologia tem proteína e outras substâncias que propiciaram a proliferação dos vírus, bactérias e fungos. Já a ágar-ágar usada no álcool gel não tem proteína, é apenas um espessante cuja única função é dar viscosidade ao álcool, explica Saab.

 

Vinagre funciona?

O vinagre comprado nos supermercados é uma solução de ácido acético (de 4% a 6%) e água. Entre as opções estão o vinagre de maçã, arroz, vinho etc. O vinagre de álcool é o preferido para as faxinas e até funciona, se o objetivo for apenas limpar. “Ele não desinfeta nem esteriliza, ou seja, não tem eficácia contra bactérias e germes. Às vezes, é usado para matar fungos, já que eles não crescem em meio ácido, mas nem nesse caso há 100% de eficácia”, explica Saab.

 

Logo, o vinagre não deve ser usado como meio de prevenção contra o corona ou outros vírus!

“Em relação a assepsia”, diz a química, “o mais importante e eficaz contra muitas doenças é lavar as mãos com água e sabão. A higienização das mãos com frequência é primordial contra qualquer doença”, enfatiza.

 

Coronavirus: medidas preventivas recomendadas pelo Ministério da Saúde:

  • LAVE as mãos frequentemente com água e sabonete (por pelo menos 20 segundos);
  • USE álcool gel se não puder lavar as mãos com sabonete;
  • EVITE tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos sujas;
  • EVITE contato próximo com pessoas doentes;
  • FIQUE em casa se estiver doente;
  • USE, se possível, lenço de papel para cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
  • NÃO COMPARTILHE copos, talheres ou objetos de uso pessoal;
  • DESINFETE objetos e superfícies tocados com frequência.