A saúde bucal é apontada como um dos cuidados mais antigos na história da humanidade. Algumas culturas buscaram sanar o problema do mau hálito e sujeiras nos dentes usando hastes, madeiras, ervas e misturas variadas, inclusive fazendo uso de flores.

Em 2014, estudos arqueológicos encontraram em uma tumba egípcia um artefato rústico que era usado para a limpeza dos dentes. O ramo de planta com a extremidade desfiada para que as fibras funcionassem como cerdas foi datada com cinco mil anos.

Os assírios usavam os dedos para limpeza dos dentes. Na Grécia, século IV a.C., o médico Diocles de Caristo receitava para os pacientes o uso das folhas de hortelã. O poder do aroma da planta quando esfregada nos dentes e gengiva cumpria para aqueles cidadãos a função de higiene.

Alexandre, O Grande, que foi aprendiz do filósofo Aristóteles, recebeu orientações para que todas as manhãs fosse realizado a limpeza bucal esfregando nos dentes uma toalha de linho. Para os patrícios romanos essa limpeza era de suma importância, havia escravos que se dedicavam exclusivamente para a função e faziam uso de uma mistura de areia, ervas, cinzas de ossos e dentes de animais.

Na China, um modelo rústico de escova dental foi desenvolvido por volta de 1490. Foi utilizado uma haste de bambu ou osso no qual foi fixado pelos de porco como cerdas, porém, era um protótipo caro e com o tempo o uso prejudicava os usuários devido ao processo de mofo que ocorria ocasionando assim uma exposição da cavidade bucal ao ataque de fungos.

A Europa medieval contou com um processo de aprimoramento utilizando-se de creme dental e para vencer o mau hálito era receitado o bochecho de urina. No mesmo período histórico, o profeta árabe Maomé (570-633) orientava seus seguidores a esfregarem uma haste de madeira aromática durante o dia para a limpeza e clareamento dos dentes.

A primeira versão moderna de uma escova de dentes foi desenvolvida dentro de um presídio no século XVIII. O prisioneiro britânico William Addis guardou um pedaço de osso de uma das suas refeições, fez pequenos furos em uma das pontas e, com cerdas que conseguiu com o carcereiro, compôs pequeninos feixes, fixando-os com cola nos furos que realizou no osso.

Já no século XX, um processo minucioso de estudo foi realizado por diversos pesquisadores referente as escovas presentes no mercado. Foram analisados material usado, composição anatômica, disposição das cerdas, tempo de vida destes produtos etc. Com o surgimento do náilon em meados da década de 1930 as escovas passaram a proporcionar a limpeza dos dentes sem que viesse agredir severamente as gengivas.

 

Curiosamente, em 2003 o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, publicou uma pesquisa sobre qual teria sido o invento mais importante da história. A maioria das pessoas apontou a escova de dentes!

 

 

 

Referência: Rainer Sousa

Graduado em História